sexta-feira, 30 de setembro de 2011

 
"... Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão..."
                     (Oswaldo Montenegro)

Nada de Amor

Não tenho nada de amor
Somente discos e livros
Trago no peito dor
Nada de amor
Poucos amigos.
Pouca capacidade
Dores de saudade
Medos da verdade...
A solidão tem sido minha sombra
Minha vida, meu abrigo
A tristeza minha companheira
Minha liberdade, minha carcereira
A alegria minha inimiga
O amor, uma esperança desmedida
E você minha fé de adquirir
Algo de amor na vida.

Começar

Tudo novo de novo
novo amor
nova paixão
novo sentimento
novo ressentimento
novos horizontes
pontes, poços, fontes...
Novas lágrimas
novos pódios
novas perdas:
memória, razão, juízo
e algo mais...
E até mesmo o incapaz
pra tentar aperfeiçoar
mais uma vez esse tentar,
que parece tão decisivo
quanto todos que vieram e foram
sem conseguir nada deixar,
 mas arrancando muita coisa,
inúmeras – impossível se lamentar
assim como curar todas essas feridas
de tudo de novo ter que começar.