Estranha
Estou estranha a minha alma
ao meu corpo
a você
a esse mundo de meu Deus
de meus
de seus...
Estou estranha ao que aconteceu
ao que acontecerá
e ao que ali
naquele momento, ficou no ar
no minuto que passou
que mais nunca voltará.
Estou estranha às muitas palavras
ao excesso de silêncio
ao que se falava por dentro.
Estou estranha a tudo que se tornou nada
às curvas da estrada
às esquinas
às setas
às paradas...
Estou estranha aos teus olhos
que já eram tão íntimos
estranha ao meu instinto
ao nosso brusco rompimento de vínculo.
Estou estranha a falta de jeito
ao que ficou no peito
aos pré (e pós) conceitos.
Estou estranha ao tempo
ao vento
à chuva que nos deixou tão desiguais
estranha ao que seria e,
ainda mais estranha ao que nunca será mais.






